sábado, 21 de julho de 2018

Minha menina



Quando descobriu o amor, ela ainda era menina. Foi feliz, sentiu leveza e beleza. Se enganou, sofreu um pouco, riu do tropeço e seguiu em frente, sem pensar no quanto aquilo podia doer.

Se jogou de braços abertos na vida. Não tinha medo de errar, não tinha expectativas demais, não conhecia o peso da mentira.

Certo dia, a menina sentiu seu coração pesar. Pesado, estava pesado. Ela não sabia a razão de tantas dúvidas deixarem sua cabeça girando e se sentiu triste, como nunca havia sentido.

A menina conheceu a dor da despedida, a dor de perder, a dor de gostar. O mundo se tornou imenso diante dos seus olhos e ela se abateu.

Foram tempos e tempos de autoacolhimento. Sua voz se voltava para dentro, sua paciência se esgotava e renascia, sua fé cresceu. A menina, que doente do coração estava, encontrou o mundo diferente.

Quando parou para se ouvir, a menina percebeu que coisas bonitas haviam brotado em meio à tanta confusão. Sementinhas estavam florescendo e suas cores preferidas estavam lá. A menina tem medo de se machucar, mas seu destino é voar. Voar bem alto.

A menina tem chorado e sorrido escondido. Não que o mundo não seja capaz de lidar com suas razões, mas ela aprendeu a olhar para si. Para dentro de si. E ali, onde descobriu um lugarzinho para ficar, descobriu o aconchego de sentir-se sua.

Menina, quem é que nunca precisou de um travesseiro cheiroso para a cabeça encostar?
Quem é que nunca precisou consertar-se em meio à loucura do viver?

Que bom que você aprendeu a escutar o silêncio do seu coração. Estou orgulhosa de você, minha menina.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sempre em frente

Durante dias, a vontade era permanecer na cama. "Deixa o mundo lá fora, eu quero ficar aqui". Deixa que o tempo se vá, deixa que o vento empurre para longe.

E assim cada dia se foi, como se foram as semanas. Quando olhou pela janela, percebeu as folhas e a dor no chão. O tempo ainda estava ali.

Quando deu os primeiros passos de novo,  tudo girava. Tempo indo e vindo, lembranças diante de seus olhos.

Não era fácil perceber que a sustentação de suas decisões dependiam dela ali, em meio à incerteza de andar um pouco mais.

E tantas vezes caiu. Tantas vezes permaneceu no chão. Tantas outras vezes  alcançou as estrelas com a ponta da imaginação.

Seu sorriso passou, então, a acompanhar sua vontade de ficar mais um pouquinho na cama. "Deixa o mundo lá fora, ele pode esperar". E floresceu.

Colocou as palavras para fora,  entregou as decepções em mãos e deu seu adeus: sempre em frente.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Fracassei

Às vezes sinto que eu fracassei.
Que tenho a capacidade de passar em uma prova difícil, mas que não perceber quando estou sendo grosseira com alguém que amo.
Que consigo planejar um projeto com entusiasmo, mas não sei demonstrar a importância que as pessoas têm pra mim.
Que posso escrever um artigo, mas que sou inútil ao tentar deixar claro quando alguém significa além do que todo mundo já significou.

E, então, percebo que fracassei. Que tenho falhado todos os dias e que,  apesar de imaginar estar sendo boa,  o que me preenche é falta de empatia e humildade.

A humanidade que tanto admiro me pertence pouco. E eu falho ao achar que dou conta de tudo o que faço.

No fim das contas eu tenho muito pouco enriquecimento dentro do que consigo ser o meu melhor. Sou falha, egoísta, pequena e cheia de ilusão.

E não adianta nada o que eu conquistei se, ao olhar pro espelho, eu ainda tô tão longe de ter o que eu admiro em alguém.

Fracassar é uma dor repleta de espelhos, que te permite ver, insistentemente, que vc é pequeno.

Hoje vou dormir me sentindo um fracasso. E não se trata de drama escrever esse texto... é uma tentativa de registrar que eu sou infinitamente mais limitada do que eu já imaginei. Só desejo,  de toda profundidade, não ser capaz de abandonar minha busca para acertar um dia. E me orgulhar por ter saído do lugar.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Acolhimento

Poucas coisas são capazes de tocar tanto quanto a sensação de ser acolhido.
Em meio a um dia ruim, uma fase difícil, situações de incerteza ou uma dor que parece não ir embora. Se sentir acolhido é como um banho quentinho depois de pegar uma chuva gelada no fim do dia. Como um abraço que se encaixa perfeitamente em meio ao silêncio compartilhado.
O acolhimento consegue transformar lágrimas sentidas em uma risada gostosa. É fazer uma fofoca boba com uma amizade que, mesmo de longe, sabe que acolher também exige bom humor.
E se sentir acolhido em meio ao mundo que gira é como sentir a felicidade de compartilhar um segredo para alguém que jamais vai te decepcionar. É falar com pressa para ser ouvido e ouvir com a atenção de quem se importa.
No geral, acolher tem muito a ver com demonstrar afeto. E, mesmo não compreendendo como a dor do outro dói tanto, é confiar na capacidade dele mesmo dizer como se sente. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

De tempos em tempos, um recomeço pra chamar de meu



É curioso entrar no meu próprio blog e, depois de quase três anos, perceber quanta coisa mudou.

Não falo apenas de mudanças circunstanciais. Estou falando de mudanças em mim, em quem eu sou.

Muitos textos que eu escrevi por aqui eu não reconheci. Por saber que todo texto que está aqui é meu, e os que não são meus foram devidamente creditados, me surpreendo ao ficar diante de mim mesma, exposta aos meus anseios e pensamentos que foram registrados com dedicação neste blog.

Eu mudei. Aprendi centenas de coisas e fiz escolhas que me permitem trazer uma nova Aline para esse blog.

O que quero dizer, antes de mais nada, é que amo cada fase que me fez ser como sou. As fases que me construíram, que me fortaleceram, que me derrubaram e as que me colocam em pé.

Durante este período que estive longe, minha vida teve mudanças importantes.
Passei por um período com depressão e fiz tratamento por longos meses. Senti na pele a doença que tira a vontade de viver de milhões de pessoas pelo mundo.

Hoje? Me sinto curada. Acredito estar em uma fase de autodescoberta e isso me faz feliz. Ficar doente me deixou imensamente vulnerável e abalada, mas hoje estou mais forte e sensível comigo mesma.

Eu decidi recomeçar mesmo quando a vontade de fazer isso era mínima. Venci inúmeros obstáculos e inseguranças...
Hoje estou aqui, me sentindo mais realizada e aprendendo que isso é responsabilidade minha.

É claro que, se eu for escrever e detalhar tantas coisas que passei, meu post ficará imenso e chato.
Mesmo que eu tente resumir, não acredito ser capaz de omitir tantas coisas que foram importantes para meu aprendizado enquanto ser humano.

No fim das contas eu passei aqui para dizer que estou bem. Tô empolgada em voltar a escrever no meu blog. Um espaço meu, sincero e carinhoso.

Agradeço a todos que vão me acompanhar daqui pra frente e aqueles que estiveram ao meu lado todos estes anos.
Ter vocês por aqui é ótimo e eu espero que se sintam acolhidos!

Um abraço enorme. Tô de volta!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Pé na estrada - Parte 5

Oi, gente!

Estou muito atrasada com as minhas postagens do "Pé na estrada"! Tem muita foto para postar!

Hoje voltei da terceira viagem (sim! eu só postei sobre a primeira!), ainda estou naquele clima intenso de curtir cada cidade... Que fase incrível!

Bem, na segunda viagem fui para Guaraniaçu, Assis Chateaubriand, Cascavel e Toledo. É difícil explicar como me sinto, é especial. Separei algumas fotos!

No caminho:










Amei muito esse caminho novo. Foi bom demais registrar tudo nessas fotos!

Cascavel:








Toledo:















A trilha sonora dessa viagem foi: "Eu só queria te contar, que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida que ardia sem explicação."

Foi tudo maravilhoso.

Beijos!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pé na estrada - Parte 4

Oi, gente!

Fiquei de postar sobre o último dia da viagem que estava fazendo e acabei adiando. Meus dias estão muito corridos, por isso não tive um tempo para postar nada.

Mas aqui estou :D

Aquela viagem foi realmente muito boa. Me senti feliz todos os dias, muito bom experimentar coisas novas e tão incríveis. Lá vão algumas fotos:

Apucarana
Os pontos de ônibus em Apucarana são em formato de bonés! Amei!
 Indo para outra cidade

Nesse momento, ouvindo música e curtindo tudo, foi quando defini qual seria a trilha sonora desse dia:

"Tudo que vai deixa o gosto, deixa as fotos... Quanto tempo faz?"

 De passagem por Lunardelli
 Em Lidianópolis. Amor imenso por esse lugar!

Lidianópolis
 Em Ivaiporã





Curtindo uma sombra. Sapeca!
 Ivaiporã foi onde eu nasci, mas não conhecia a cidade. Amei o lugar e o pôr do sol. Me senti em casa.

Passando por Cândido de Abreu! Cidade aconchegante, pizza maneira!




De volta à Curitiba... A paisagem muda, mas continua sendo sensacional!


Não consigo imaginar outra coisa senão estar feliz em cada instante.

Té mais!