quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mundo adulto

Me sinto perdida em um mundo adulto que não pertenço. Sim, podemos concluir que ainda sou uma criança, se assim fica mais fácil para nós.

Quando me vi, estava entre pessoas que falam de dólares, IPTU e América Latina. Me sinto perdida aqui.
Quando percebi estava vestindo roubas mais sociais. Estava na rodinha dos adultos falando sobre coisas que não me pertencem e aceitando a vida como ela é.

Oh céus, ainda não consegui crescer. Sou infantil.

Choro quando vejo que estão violando coisas que eu amo. Choro quando me sinto injustiçada e não aprendi a aceitar o mundo dessa forma tão torta. Me perdoe pela infantilidade, me sinto sozinha chorando por coisas que as pessoas veem como tempestade em copo d'água.
Ainda não aprendi a ouvir "Aline, o mundo é assim. Você quer mudá-lo?"

Não sei abrir mão das coisas que eu acredito, sou extremista ao defender minha opinião e meus ideais. Não consigo aceitar a dor que as pessoas causam. Não consigo entender como tudo é tudo tão "não era para tanto".

Não consigo engolir esse mundo adulto que diz que nunca posso mudar nada. Não consigo aceitar que a vida muitas vezes é estúpida e que temos que nos acostumar com isso.

Pelo amor de Deus, eu não quero crescer e ser uma adulta conformada com toda essa merda.

Não é possível que as pessoas não percebem que perdem os sonhos, que perdem a ânsia de viver em um mundo mais justo e, sério, perdem a força pra gritar que não aceitam isso! É tão fácil assim ser conivente com tudo? É tão fácil assim dizer simplesmente 'sim' e se encaixar no quebra-cabeça?

Pode ser que minha juventude esteja me iludindo a ponto de me fazer desistir de querer crescer e me tornar amigável, como deve ser.

Mas, por favor, eu não posso fazer parte desse mundo adulto que insiste em me dizer que estou errada e que um dia vou aceitar tudo isso de uma vez. Como podemos aceitar se está errado? COMO?
Me questiono e frito a cabeça pensando se aceitar tudo é amadurecimento ou frustração.


"A renúncia é a libertação. Não querer é poder."
Fernando Pessoa